19 dezembro 2010

Feliz Natal e um SUPER 2011!!!


Que 2011 seja um ano maravilhoso para todos.
Que os do bem sejam felizes e os do mal tenham sua chance de aprender a ser gente.

Renato Baptista


14 dezembro 2010

Alvoroço no Galinheiro



Alvoroço no Galinheiro

Era um dia perfeito. Sol, brisa quente e suave, harmonia total no galinheiro.
O galo Querêncio imponente, fazendo valer o seu domínio, era mais do que admirado pela dupla dezena de galinhas que se esforçavam para mostrar a ele as suas crias amarelinhas, frutos do seu segundo de amor.
Era milho no almoço, milho na sobremesa, milho no lanche, no jantar e quirera para os menores e depois um golinho de água aqui e outro ali e Querêncio só olhando, avaliando, afiando o seu esporão e esperando.
E naquele final de tarde, entre uma ciscada e outra, uma tempestade se formou. De repente, vinda ninguém sabe de onde, uma jararaca se apresentou bem no meio do terreiro. Aquele olhar congelante, ávido por uma refeição.
Foi, vocês nem imaginam, um corre-corre danado. Era pena para tudo que era lado. As galinhas se debatendo
e tentando vôos desesperados, pintinhos correndo de uma lado para o outro, sendo que alguns coitadinhos nem sabiam direito o que acontecia. Só corriam também.
Uma gritaria infernal, tão grande que até parecia briga na feira ou quem sabe uma briga de galo.
O Querêncio preocupado, juntava forças, pois tinha que defender os seus domínios, a sua família.
A jararaca se divertia e já tinha até mirado a sua presa quando Querêncio estufou o peito, abriu suas asas, empinou sua crista e voou direto no meio da cara dela.
Fez-se um silêncio total, todos pararam para ver a embolação que se seguiu.
Teresa e Querêncio travavam uma batalha de vida ou morte. Querêncio era um valente, porém numa derrapada inesperada quebrou sua perna direita. Uma dor lancinante.
Bem que ele tentou continuar, mas ele sabia que seria fatal e sendo assim, usando suas asas fortes, afastou-se de Teresa para poder avaliar o que iria fazer.
Algumas galinhas se desesperaram. Uma delas, coitada,
engoliu seu próprio ovo. Não sei se pensou em defendê-lo e botá-lo depois de novo ou se tentou o suicídio. Isso ninguém nunca saberá, pois Felisberta morreu engasgada naquele mesmo minuto.
Enquanto isso, Teresa se recompunha do ataque, pois já estava ferida por Querêncio, mas não fora de combate.
Foi nessa hora que Dagoberto, um pinto encorpado, forte, já um Frango e que tinha assistido de perto a desgraça de Felisberta ao morrer engasgada com seu próprio ovo, teve uma idéia...
Se ele provocasse Teresa até que ela abrisse a sua bocarra peçonhenta, ele poderia, como um Kamikase, atirar-se dentro da garganta dela rápido o bastante para não ser picado pelas presas de Teresa e tentar sufocá-la com seu próprio corpo.
E assim fez Dagoberto, um Frango herói em seu dia de fúria. Bicho arrojado... filho mais velho de Querêncio. Ele mergulhou sem piar na garganta de Teresa. Cravou seu bico e suas garras afiadas nas suas entranhas e abriu suas asas com toda a sua força para não ser engolido.
Teresa ficou imóvel, não conseguia reação. Querêncio vendo aquilo superou sua dor e, encorajado pelo aparente sacrifício do filho, precipitou-se contra a jararaca. Ela, entalada e imobilizada, nada pode fazer. Nem esboçou reação.
Com seu bico guerreiro, Querêncio despedaçou Teresa enquanto seu esporão dilacerava aquela pele escamosa.
Teresa agonizava, sucumbindo ao ódio de quem defende os seus.
E Querêncio não parava, até que abriu de vez a barriga de Teresa e qual não foi sua surpresa... encontrou Dagoberto meio desfalecido, com as penas todas lambuzadas, tonto e já sem ar, mas...vivo!
Foi uma festa. Asas aplaudindo o novo Príncipe. Todos em reverência a Dagoberto, o Frango Herói, inclusive Querêncio que não cabia dentro de si de orgulho.
Josué Carvalho, o dono do sítio, preocupado com o alvoroço, apareceu correndo para ver o que tinha acontecido, e ao entender o ocorrido, também se sentiu orgulhoso de suas crias.

- Naquela noite, Felisberta foi servida assada com ovo e tudo no jantar para a família de Josué.
- Teresa, ou o que sobrou dela, foi enterrada com suas enzimas numa cova funda bem longe da porteira do sítio sem direito a lápide.
- Querêncio, após receber a condecoração de “O Galo do Ano” aposentou-se por invalidez permanente em virtude dos ferimentos que recebeu naquela tarde.
- Dagoberto foi eleito o novo Rei do Galinheiro e durante muitos e muitos anos contou essa história para os seus descendentes.
- Dagoberto faleceu cinco anos depois em virtude de uma fome abrupta da família Carvalho.
- Até hoje essa história é contada nos galinheiros da cidade de Macupira do Sul e região e acabou por se tornar uma lenda.
“A lenda de Dagoberto, O Frango-Rei Esperto!”

Moral da História : Mais vale ter na vida coragem e inteligência do que uma boa dose de veneno.


O lugar, os fatos, os personagens e seus nomes são absolutamente imaginários. Qualquer semelhança com pessoas, lugares ou animais reais é mera coincidência.

Renato Baptista
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05 dezembro 2010

John Lennon – Mito Eterno

Faz 30 anos que John Lennon foi assassinado. Foi para o céu um homem que estava além do seu tempo, vivia outro mundo e talvez tenha sido essa a causa da sua partida, quem sabe?

Lennon era mais que um músico, ele era um homem capaz de fazer os seus sonhos se tornarem reais e usava o dom da música como instrumento, ferramenta para tal.
Co-existiam com ele vários mitos da música como Joplin, Hendrix, Ozzy, os caras do Led Zeppelin, Pink Floyd, para não falar de inúmeros outros que faziam sucesso, ou seja, expoentes que se perderam, se mataram ou permaneceram como estátuas de cera como os integrantes dos Stones. Estes tinham lá o seu valor e comoviam multidões, mas não eram exemplo para ninguém e enquanto os Beatles eram Reis esses chegavam a príncipes, quando muito... mas sem tietagem, o assunto aqui é sério.
Interessante é ver e analisar os integrantes dos Beatles, coisa que a imprensa não faz de forma congruente, pois limitam-se a explorar o lado festivo da história na maioria das vezes. Harrison era um músico excepcional, mas vivia literalmente fora da realidade. Escreveu e musicou “Something” e olha, não precisava fazer mais nada, já estava de muitíssimo bom tamanho. Ringo, bem, era só Ringo e prefiro não entrar em detalhes, agora Paul era coração puro, aliás, é até hoje. Um cara acima da média no que é, no que representa e no trabalho musical que nos proporcionou.
Paul é um expoente máximo da música de todos os tempos sem sombra de dúvida e dono de composições memoráveis, daquelas que guardamos no coração. Um verdadeiro “Mito” eterno. E finalmente John... John era alma, simplesmente, alma. Um defensor de causas acima de tudo. Um pensador, um artista.
A personalidade de Lennon era incomum e sua forma de encarar as coisas um disparate para a época, e por isso foi preso, amado, odiado e assim. Alguns o perseguiam, não pelo que ele fazia, mas pelo que ele pensava, e isso é o que determina um homem de princípios e que sabe o que diz.
A música de Lennon era precisa, concisa, direta. Ele não se preocupava em agradar com acordes a esse ou aquele, fazia música para externar o que era sua alma e não estava nem um pouco preocupado se o esculhambavam por causa da Yoko ou seja lá porque mais.
Faz 30 anos que John partiu, ou melhor, partiram com ele. Um fã desesperado? Não sei. Ordens ocultas? Não sei. Acaso? Também não sei, mas uma coisa é certa, o que não sei mesmo é como seria Lennon hoje, aos 70 anos e convivendo com os conflitos do Iraque, do Afganistão, faixa de Gaza, Coréias, etc, etc, etc...
O espírito de John permanece vivo dentro de cada pessoa que foi capaz de entendê-lo na sua essência, no seu modo de ser, mesmo com seus erros e acertos, enfim.
Bem, para terminar esta crônica, um fato interessante... Um rapaz, filho de um conhecido, e que hoje tem 15 anos, diz ser John Lennon. O interessante é que quando ele disse isso pela primeira vez , ele tinha 8 anos e nunca tinha visto ou ouvido falar de John, e já fazia 15 anos que Lennon tinha partido.
Esse menino se veste com roupas “psicodélicas” (quem foi da época sabe o que digo), vive num outro mundo que não o nosso, toca todo e qualquer instrumento de forma perfeita e diz aos quatro ventos que ele é John Lennon... e isso naturalmente, sem forçar nada e sem querer aparecer.
Que coisa, não?

Renato Baptista

- “É uma falta de responsabilidade esperarmos que alguém faça as coisas por nós.” – John Lennon

- “Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal.” – John Lennon

- “A vida é o que lhe acontece, enquanto você está ocupado fazendo outros planos – John Lennon

- "Vivemos num mundo onde temos que nos esconder para fazer amor, enquanto a violência é praticada à luz do dia."- John Lennon

29 novembro 2010

Conto - A Luz Difusa de Um Abajur Lilás e a Eterna Rosa Vermelha.

Capítulo 01 – O Sonho


Estávamos nos idos de 1946, pós-guerra na Europa. Um território destruído pela ambição humana mais uma vez. Madeleine Morgan, nascida e criada na Inglaterra, morava em Ashford na Kent Avenue, 07, em um sobrado de tijolinho aparente com a porta pintada de vermelho, quase esquina com a Magazine Road, perto da rotatória.
Ela havia sofrido com as agruras da guerra, tendo perdido seus familiares nesses anos de fogo e tormenta. Hoje seu lar está reconstruído graças a seus esforços e seu trabalho incessante numa fábrica local.
Madeleine havia conhecido David Justin Keagan um pouco antes do início da guerra, em 1938, em Canterbury, cidade natal dele durante férias que ela tirara na fábrica de bolsas onde trabalhava.
David morava na St.New Ruttington Lane, 09 em um sobrado de 3 andares que foi refúgio do amor mais lindo de que já tivemos notícias. Daqueles que histórias não conseguem contar. Eles se amaram como ninguém nunca havia se amado nesse re-encontro.
A guerra os separou, pois David serviu na Royal Air Force como piloto de avião caça (Spitfire MK IV), completando 23 missões e abatendo 17 aeronaves inimigas. Foram dias, anos incontáveis em que se correspondiam e não conseguiam se encontrar, exceto na semana do Natal de 1941 em Londres.
Os anos se passaram, a guerra terminou e iniciou-se o processo de reconstrução da Europa. Cidades destruídas, lares terminados, corações embotados de tristeza e agonia era o que se via, mas a vida continuava.
O sonho de Madeleine e David era viverem no sul da França, numa cidade onde antigos parentes de Madeleine haviam deixado uma propriedade que, por presente divino, não havia sido destruída nesses anos de desatinos e crueldade. Há muito eles combinavam que iriam se casar e viver o resto de suas vidas por lá.
David estava em Londres onde preparava os documentos para sua mudança e o plano era que ele fosse de avião para Ashford e de lá rumassem por trem até Dover, de onde sairiam, atravessando o canal da Inglaterra até Calais na França, e depois viajariam de carro pela autovia L’Autorute des Anglais até Thérouanne – Rue de Boulogne, 37, que era o endereço dos sonhos dos dois. Uma vida os esperava, definitivamente e para sempre, contemplando o amor construído em tempos difíceis e que sobreviveu a tudo por ser eterno e verdadeiro. Um amor que veio de outras vidas, que sempre existiu.
Madeleine havia vendido a sua casa e livrou-se de todos seus bens, pois iria constituir família e nova vida a partir de agora com David.

Capítulo 02 – A Realização e a Realidade

Chegara o dia finalmente. Dia 07 de Janeiro de 1946, 17:00hs, hora do chá quente com um pingo de leite, e Madeleine chegou à estação de trem de Ashford, onde se encontraria com David.
Ele viria de avião de Londres e eles se encontrariam na estação para embarcar no trem 724 das 19:00 hs com destino a Dover.
Chovia muito lá fora e o frio era gélido, flocos brancos de neve brindavam o encontro que estava por acontecer. A noite começava a cair, escurecia e Madeleine estava em pé, ali na plataforma, acompanhada por sua paixão, por seu destino.
Os minutos passavam e suas mãos suavam dentro das luvas de couro marrom, tal ansiedade que a cercava. O tempo, nosso inimigo, às vezes, não colaborava e o relógio da estação anunciou 18:40 hs. O trem 724 chegou à estação e passageiros desceram conturbadamente. Madeleine em pé na plataforma aguardava David e o último aviso de partida foi dado pelo maquinista através de um apito longo. O mais longo da vida de Madeleine.
David não aparecera. No rosto de Madeleine via-se escorrer uma lágrima solitária como ela naquele momento enquanto o ruído da partida da composição tomou conta da estação. O trem se distanciava decididamente com as poltronas 23 e 24 vazias, escondendo a angústia e o desconsolo.
A estação, agora vazia já, aguardava o próximo trem, o destino¿ Não sabemos até hoje.
No guichê de passagens, Mark Costner, o vendedor de tickets, cochilava a ponto de roncar. Sobrancelhas grossas, tez clara e pele do rosto enrugada pelo frio constante a que se expunha ali no ambiente do seu trabalho. Dormia a estação naquele momento e Madeleine desolada, sofria o seu inconformismo. Ela estava quase congelada pelo vento da tristeza que percorria a plataforma.
Sua boina bege de lã segurava os cabelos negros que em parte viajavam com a brisa forte, fria, cortante, e os seus cachos se misturavam ao seu cachecol na mais longa e triste das esperas.
Outro expresso se anuncia e pára na estação. E depois outro, e outro, e as pessoas apressadas entre malas e volumes desviavam de Madeleine que mantinha junto aos seus pés a sua mala preta enquanto apertava contra seu peito uma valise de tecido cinza.
Na valise, as cartas de David. As cartas que contavam a história de um grande amor, seu único bem e que se misturavam às recordações, presentinhos, que ele lhe enviava constantemente das cidades onde esteve.
Madeleine permanecia estática e o barulho gritante da partida do último trem daquela noite junto com o vapor que se levantava a partir dos trilhos polidos fez com ela abrisse seus olhos castigados. A plataforma estava novamente vazia e David não estava lá. Não havia notícia dele.
A estação fecharia às 00:00 hs pontualmente, pois as viagens haviam sido suspensas pela defesa civil em função de uma forte nevasca que assolaria várias cidades da Grã-Bretanha, com ventos de 130 Km/Hora. Todos deveriam se recolher às suas casas, era o aviso, mas Madeleine não tinha mais casa, ela era espera, e assim, o tempo não existia mais.
Eram 23:38 hs e vagarosamente ela se virou, esboçando uma réstia de vida, e viu encostado na parede um banco azul, já com a pintura meio descascada. Ela abaixou para pegar sua maleta e depois caminhou vagarosamente até o banco e sentou-se.
O frio era intenso ao extremo e seus olhos se fechavam. As pálpebras enrijecidas tornavam o ato dolorido até. Ela tremia compulsivamente e seu rosto assumia o contorno das lágrimas congeladas pelo vento. Madeleine sobrevivia naquele momento apenas. Ela não estava bem.
Meia noite em ponto e a estação foi fechada. Mark não havia percebido Madeleine sentada ali naquele canto. Todos haviam ido embora e ela foi esquecida com seus pensamentos e o seu amor latente e tão distante. Algo havia acontecido, ela sentia.
Em determinado momento um tremor extremo percorreu o seu corpo cansado e sofrido que a tosse ininterrupta castigava. Contrações aceleradas a perturbavam e seus olhos se reviraram nas suas órbitas. Suas mãos se abriram e deixaram cair no colo e depois no chão a sua valise cinza, onde morava a memória de David.
Madeleine estava fraca e nunca havia sido curada da grave infecção pulmonar que adquirira nos tempos da guerra e assim, naquele momento, ela partiu levando a sua angústia e todo o seu desespero.
Sua cabeça pendeu por cima do ombro esquerdo, os braços caíram pelo corpo e não houve despedida. No seu semblante um mistério. Seus lábios esboçavam um sorriso.

Capítulo 03 – O Reviver

Na manhã seguinte, o trem 724 chegou ao seu destino. Acordou Dover com seus guinchos e apitos ensurdecedores. Muita gente na plataforma de desembarque, confusão, idas e vindas, bagagens e os passageiros continuavam a se levantar das suas poltronas, pegando seus pertences e se preparando para descer dos vagões.
Quase no final do tumultuo, ali no vagão 07, poltronas 23 e 24 ainda estava sentado um casal.
Eles descansavam calmamente, sem tempo, enquanto outras pessoas se aglomeravam. Eles se olhavam doce e apaixonadamente e suas mãos se apertavam e dedos entrelaçados trocavam segredos. Era um momento de encanto onde alma conversava com alma e um mundo particular se formava.
O homem levantou-se e aprumou seu sobretudo negro, pegou no guarda-volumes superior e malas e o seu chapéu ainda úmido e o colocou na cabeça, rodando os dedos pela borda da aba. Ele olhou para a sua linda mulher pedindo aprovação, e ela com um sorriso e um ligeiro movimento de cabeça o fez entender que o chapéu negro precisaria ser levemente inclinado; o charme.
Com um breve movimento o homem consertou o seu semblante em concordância com o toque sutil da sua amada e em seguida estendeu sua mãos para ela e a ajudou a levantar-se. As mãos dela esticavam o linho da blusa, abotoou os botões do casaco, endireitou sua boina bege, enrolou seu cachecol no pescoço e calçou suas luvas marrons. As bagagens foram empunhadas... uma valise cinza e uma maleta, e assim eles se dirigiram até a porta do vagão. Pararam por instantes, olharam para fora, respiraram fundo e desceram abraçados, caminhando pela plataforma em direção à vida que os esperava.
Alguns dias depois, contam os moradores de Thérouanne, que a chaminé da casa da Rue de Boulogne, 37, apesar de fechada há anos, deixava escapar fumaça, como se a lareira estivesse acesa. No seu interior vivia um casal que os olhos humanos não podiam ver. Na verdade, ninguém ousava bater à porta ou tentar descobrir o que ali se passava.
O amor prevalecera e o destino se cumpria porque a vontade de Deus era sublime.

Considerações Finais

Na tarde do dia em que Madeleine faleceu um avião do exército britânico havia sofrido avarias no motor, em pleno vôo, durante uma tempestade de neve e desapareceu num dos desastres aéreos mais incríveis da história da aviação.
David havia perdido a hora do seu vôo de carreira que sairia de Londres naquela tarde e como tenente da aeronáutica reformado, ex-combatente, conseguiu embarque numa aeronave da RAF. Os seus destroços foram encontrados tempos depois numa floresta. Sobre uma das asas incineradas uma rosa vermelha permanecia tenra e não há notícias de sobreviventes, pois tripulação e passageiros tiveram morte instantânea segundo avaliação da aeronáutica e da peritagem da polícia.

O corpo de Madeleine fora encontrado sem vida na manhã seguinte na estação e não se sabe qual destino tomou. Seus pertences foram guardados em um armário corroído pela ferrugem na delegacia de polícia cujas portas foram trancadas com cadeado. Nunca ninguém os reclamou.

As residências de David e Madeleine existem até hoje em Canterbury e em Ashford e conservam as suas características originais.

O tempo passou, e após mais de meia década, em Thérouanne, a casa da Rue de Boulogne, 37 continua fechada. Quem passa pela rua à noite pode ver uma luz lilás através da janela, por trás da cortina e pode ouvir risadas e poemas de amor declamados em voz alta vinda de dentro da casa. À porta uma rosa vermelha eterna enfeita a entrada, ela resiste ao tempo mantendo seu frescor e perfume até hoje.
Ninguém ousa tocar a campainha e nem mesmo chegar perto da porta e das janelas da casa que virou o templo do amor maior.

David e Madeleine existiram e existem de verdade no coração de cada pessoa que ama verdadeiramente. Eles viverão juntos para sempre, e assim como a rosa vermelha, seu amor será eterno!

Renato Baptista

24 novembro 2010

Preparação - Poetrix

13 novembro 2010

23 outubro 2010

Interlúdio - Poetrix

15 outubro 2010

Afeita

02 outubro 2010

Indagação - Poetrix

28 setembro 2010

Estrelas do Cinema Fase 02 na Academia da Poesia

Está publicada na "Academia da Poesia" a segunda fase da Mostra de Poeminis "Estrelas do Cinema".
Será uma alegria a sua visita!

Renato Baptista

26 setembro 2010

Canção - Poetrix

Por Um Momento Apenas

23 setembro 2010

De Quando em Vez... Poetrix

07 setembro 2010

Lixo Literário na Internet



Lixo Literário na Internet.

A difusão da Literatura na Internet é algo muito interessante se analisarmos alguns aspectos práticos.
Esse meio proporcionou a milhões de pessoas do mundo todo um canal de distribuição farto para escritos que até então elas nunca imaginariam que pudessem ser divulgados.
Formaram-se academias, sites livres especializados, sites e blogs particulares, redes sociais, e teoricamente fundou-se o movimento do “Virtualismo” que, acredito, um dia, será estudado como uma Escola Literária.
Aí é que reside o problema. A liberdade de expressão, que eu defendo com unhas e dentes, não está sendo utilizada com responsabilidade por algumas pessoas.
Há quem diga por aí que o Virtualismo está se despedaçando em função do grande volume de “lixo” literário publicado aleatoriamente.
Claro que existem parâmetros na literatura para que se identifique isso, e não sou eu que vou julgar, mas ninguém que tira seus poemas ou escritos de uma gaveta e os publica, tem a pretensão de ser um Vinicius. A idéia é apenas publicar, ser lido por outras pessoas, ser comentado e receber elogios, críticas construtivas... Não importa.
Claro também, que existem os aproveitadores que procuram e só aceitam elogios e ainda os que precisam mostrar para todo mundo que foram lidos por 200.000 pessoas, isso mostrado por 200.000 comentários que recebem no seu blog, e que para terem isso, vão alucinadamente em milhares de blogs “aleatórios” (sempre existem as segundas intenções) deixar algo bem “carinhoso” e que com certeza trará retorno.
Temos então que não existe leitura, apreço, reflexão... o que existe é um vai e vem tresloucado de intenções e um “ôba ôba” generalizado onde o que menos importa é o texto, o escrito e a imagem, ou seja, vulgarizou-se a coisa toda.
E com isso perdemos todos, todos aqueles que querem estudar, criar, fazer poesia, prosa, ou seja lá o que for, porque seus textos não são nem lidos direito (basta ver os comentários expostos que na maioria das vezes mostra que o texto não foi lido e nem entendido).
Alguns publicam uma imagem, 4 linhas sem sentido e acabam endeusados por centenas de fãs que juram pelo mais sagrado que tudo ali é perfeito.
Deve haver senso crítico! Deve haver uma decisão entre literatura e banalidade! Deve haver uma união dos escritores onde blogs e escritos de valor recebam o seu devido valor (mesmo que sejam aprendizes) e que esses banais fiquem no seu canto, pois tudo é permitido e tudo deve ser aceito, mas que cada coisa ocupe o seu lugar.
E por aí lemos desafogos, angústias, medos, amores mal resolvidos... lemos alegrias, crenças e amores vibrantes, eloquentes e aquecidos. Há de tudo um pouco. Uns muito bem escritos, outros mais ou menos e outros ainda... péssimos segundo quem entende do assunto!
Mas repito, não importa nada disso, pois as conversas entre autores, a irmandade, o convívio diário, tudo isso faz com que tenhamos um grande aprendizado uns com os outros fazendo com que as pessoas cresçam, identifiquem-se, melhorem a cada dia a sua performance e aos poucos vão se situando, aprendendo estilos, técnicas e por aí vai.
E os que se aproveitam desse meio para criar armadilhas sensuais e bobagens crônicas que fiquem no seu canto, que não invadam quem está na web com um propósito verdadeiro e são.
Mas é aí que mora o perigo e onde aparecem dois problemas que identificamos de cara:
Como faz parte da característica humana, vemos o ciúme e a inveja correrem soltos com relação a este ou aquele escritor e até a loucura generalizada de alguns que participam do meio apenas com o intuito de destruir pessoas que apenas, um dia, resolveram publicar um escrito seu e que naquele momento estão se sobressaindo de alguma forma.
O outro problema é que toda essa salada de emoções e a abertura de corações e mentes em versos e escritos (principalmente de mulheres), torna-se alvo, o que é um prato cheio para os, talvez, internautas de plantão e pessoas mal intencionadas que navegam à solta e usam desse meio para criar os seus meandros que nada tem a ver com literatura.
E são esses que fazem o seu bloguezinho, alguns fechados (travados por senha), e não mostram a cara, nem nome, nem foto, nem nada (deixam apenas o e-mail para “contatos”) e acham que podem sair por aí conquistando quem está vulnerável e expõe isso através de poesia com a maior das boas intenções.
São esses os acostumados apenas com os seus chats de namoro, encontros, imagens eróticas e algo mais, ou, apenas desavisados à procura de aventura com corações que acreditam ser solitários.
Esses caras, digo caras porque não se vê muitas mulheres fazendo isso, descobrem esse tipo de reduto e se aprontam e se direcionam imediatamente após lerem alguns poemas ou textos que falam de amor, escritos sensuais, enfim... Essas pessoas vêem ali escrito tudo o que queriam ler no seu chat da madrugada ou em outro lugar vulgar qualquer, e a seu ver, escritos por poetas especialistas na arte de amar, querendo amar sem fronteiras quando na verdade aquilo é POESIA e eles como não conhecem poesia, acham que tudo ali existe com outro fim. Ignorância!
Acham que encontraram a Disneylândia e que todas as poetas estão à sua disposição ali e que estão ainda em busca de companhia, e de preferência... a dele. Ridículo!
Lêem tudo de algumas pessoas apressadamente, anotam os nomes que interessam conforme suas preferências e iniciam a caça ao seu objeto de prazer, e se tornam seguidores, comentam, buscam, distribuem beijos e carinho e por aí afora. E ficam aguardando a resposta.
E nos seus blogs escrevem e publicam daquele seu jeito tosco, sem conteúdo algum, segundo os entendidos, para justificar as idas e vindas.
O pior é que existem ainda, os que fazem tudo isso travestidos com nomes fictícios com a mera intenção de tumultuar o bom andamento das coisas e o bom convívio de todos.
Até a mais esperta das pessoas confundiria as bolas e acharia que são escritores de verdade e embarcaria nesse barco furado que detona o Virtualismo Literário.
E muita gente já se machucou assim, naufragou mesmo, e foram bastante fundo se querem saber, pois essa gente é capaz de se esconder por trás de vários nomes e situações diferentes para que suas intenções tenham resultado de um jeito ou de outro.
A grande verdade é que quem está na chuva é para se molhar e há quem goste disso tudo, mas que haja uma separação entre quem faz arte e quem “faz arte” apenas, assim todos seriam felizes, cada qual no seu canto.
Já vimos muitos virem e irem embora de volta aos seus redutos pitorescos, mas acabam deixando sempre uma mancha no caminho, infelizmente. Deixam gravados e expostos no virtual o seu lixo literário pernicioso e mal acabado e pior, corações feridos aos montes.
Na verdade, não pode haver crivo e nem censura (a liberdade de expressão é fato), portanto essa coisa não vai acabar nunca e, sendo assim, para sempre veremos maculada o que seria uma escola de literatura que antes de mais nada estaria colaborando com a cultura deste País sedento de letras.
O que deveria haver é o bom senso dos que acreditam que é possível fazer deste meio algo construtivo e sendo assim, que decidam de que lado querem ficar.
Fica aqui o alerta e a indignação e ainda, a crença fiel de que cabe a nós mesmos evitar que fatos assim denigram e deponham contra a nossa Virtual Classe de Escritores Aprendizes e Amadores bem intencionados.
Creio na liberdade de expressão e não na libertinagem expressa, e creio ainda que nos cabe criar um mundo melhor para os nossos filhos com respeito à individualidade e ao próximo, não querendo torná-los simples objeto do desejo alheio de forma covarde.
O pensamento é simples... temos que tentar manter a nossa integridade e a integridade dos blogs e sites e redes sociais de literatura a todo custo, pois os que os mantêm, o fazem a duras penas e creio que no mínimo deve haver respeito a isso.
Não pode haver espaço para gente que tem o intuito de tumultuar ou fazer desses estudos uma temporada de caça ao sexo oposto.
Para finalizar, como sempre, alguém por aí vai se ofender violentamente com esse meu texto ou vai dizer que eu devo é me limitar a escrever poesia, como já disseram uma vez... Mas não ligo, pois sou transparente o suficiente para saber o que penso, o que digo e onde piso, portanto, que me perdoem os incautos e desavisados, mas eles não sabem o que fazem... contra a Cultura e contra a Educação!

Vamos fazer renascer o verdadeiro espírito da Literatura Virtual e fazer desse nosso meio algo verdadeiro.

Renato Baptista – Setembro 2010

24 agosto 2010

Flor - Poetrix

21 agosto 2010

Mulher - Poetrix

15 agosto 2010

10 agosto 2010

Limites - Poetrix

06 agosto 2010

Afinados - Poetrix

Hora - Poetrix

29 julho 2010

Partes - Poetrix

Instante - Poetrix

18 julho 2010

Maçã - Poetrix

04 julho 2010

Em Defesa do Dunga... Um Grito Calado.


Em Defesa do Dunga... Um Grito Calado.

Antes da Copa do Mundo, escrevi uma crônica onde disse o que pude e o que não pude sobre o Dunga e sua “seleção”... e me sinto mal agora que a ficha caiu, mas mal de verdade mesmo.
Eu disse que o Dunga convoca mal, arma mal o time, substitui mal, avalia mal, se veste mal, fala mal, pensa não sei o que e continua lá, perguntando para o Jorginho a cada 2 segundos o que ele deve fazer.
Pois bem, continuo pensando isso tudo, mas agora que a tal ficha caiu, sou obrigado a colocar as coisas em pratos limpos e me redimir. Todos viram o fiasco que foi para a nossa seleção essa Copa. Todos viram que o poder de decisão de uma pessoa frustra duzentos milhões de outras simplesmente porque tudo foi mal avaliado pelos que contrataram o Dunga, o que foi dono de uma “era” de truculência e pouco futebol, apesar de ter levantado uma Copa do mundo que sobrou para o Brasil na verdade.
Vimos jogadores sem condição de jogo desfilando pela África do Sul, o Kaká, que por sinal jogou três Copas e não mostrou o que é até hoje (ele é craque), vimos outros tantos que são “meias” como Josué (quem?), Kléberson (como assim?), Gilberto Silva, Júlio Baptista, e os laterais que jogam pelo meio em seus clubes e que foram chamados para nada como o Gilberto (rs), o Daniel Alves. Ah! Esqueci do grande titular Felipe Melo.
Inacreditável, não é mesmo¿ Pois o rapaz mostrou desequilíbrio total além de não jogar nada (lembrem dos jogadores de meio campo que o Brasil já teve, e lembrem dos que não foram chamados pelo Dunga). Como os médicos da seleção, os psicólogos e todo o aparato caríssimo que acompanhou a seleção não percebeu isso?
Não podemos culpar esse rapaz mesmo. Ele é assim, faz aquilo e alguém assim não pode representar um país inteiro definitivamente. Só o Dunga não viu isso, mas como eu disse, a culpa não é do Dunga.
Vi as entrevistas, em particular uma, logo após aquele desentendimento dele com o repórter da Globo. Ali ele me fez pensar... porque tentou, do jeito dele, se desculpar, mostrar o que ele é, tem brios, é honesto, falou dos pais em situação complicada, o que lamento, mostrou patriotismo, disse que estava ali com jogadores que tinham compromisso e tal e tal. Pois bem, é isso. Ele fez o que pôde, pensou e se posicionou no comando fazendo o seu máximo e a imprensa e torcedores não tinham porque ficar malhando o cara. O erro foi muito maior, de outros, não dele.
Jogamos uma Copa ladeira abaixo porque ele é assim e fez o que sabe e o que consegue, o máximo dos máximos, só que não é o bastante para time nenhum, talvez para as seleções de Honduras, El Salvador, Guatemala (peço perdão a essas pela analogia), mas nunca para um Brasil cinco vezes campeão mundial.
Não culpem o Dunga e nem mesmo o Felipe Melo, esse precisa de ajuda rápido, e nem mesmo o resto da turma que é um arremedo, uma vergonha para o futebol brasileiro com algumas excessões.
Perder em campo para alguém melhor é normal, acontece. Perder porque deu dor de barriga, acontece. Perder porque não era o dia, acontece... mas perder porque estava na cara que não ia ganhar nunca é algo que precisa ser revisto pelos tais da CBF.
O Brasil não pode ser humilhado e virar motivo de chacotas no mundo do futebol porque existe uma história a ser reverenciada, existe um respeito que conseguimos a duras penas e jogamos pelo ralo... existem duzentos milhões de pessoas que esperam por um trabalho bem feito, que enfeitam a rua, agitam bandeiras, assopram vuvuzelas (crime)... podem até não entender nada de futebol mas estão ali com o coração na mão, torcendo e chorando (ao pé da letra).
Finalizo dizendo mais uma vez que o Dunga não tem culpa e os seus anões muito menos. Dêem sossego a ele e que ele seja feliz dentro das suas possibilidades e forma de pensar e conduzir as coisas, mas lá longe da seleção brasileira, mas bem longe mesmo.
E que fique com “nós” a esperança de que as coisas vão mudar, porque futebol é isso... amanhã é sempre um outro dia mesmo.

Renato Baptista

18 junho 2010

Assim - Poetrix

13 junho 2010

Percebo - Poetrix

Aperto - Poetrix

12 junho 2010

Vuvuzela, o inferno na terra da Copa do Mundo.

Vuvuzela, o inferno na terra da Copa do Mundo.

Para começar digo que acho inacreditável. É isso mesmo, a Copa do Mundo é uma coisa linda demais em todos os aspectos. O envolvimento, o congraçamento entre nações e seus povos, realmente vemos uma festa sem igual que paralisa o mundo.

Agora... as vuvuzelas. Ah, as vuvuzelas africanas são algo de inacreditável mesmo. Uma coisa que deixa qualquer um maluco e babar, e não pelo evento, pelo desenrolar do jogo, nem pela torcida, nem pelo que acontece em campo, mas pelo inferno estratosférico que aquele ruído proporciona.

Assistir a uma partida da Copa com aquele barulho infernal de fundo é algo desesperador para qualquer ser humano. Parece que estão enfiando o dedo pelo seu olho e buscando o seu cérebro... e o dedo rodando e arrebentando os nervos sem dó e nem piedade.

Aí eu pergunto: - Por que vuvuzela? Para que vuvuzela? Como assim vuvuzela?

Aquilo é algo que deveria ser proibido, banido, expurgado, arremessado para o infinito no silêncio do espaço sideral, pois chega perto de ser o crime do século você ser obrigado a assistir a um jogo ouvindo aquilo. E é algo que não tem intervalo, não para, não cede, não tem limite.

Não sei o que pensam os africanos quando assopram aquilo, sinceramente, aliás, não pensam, porque aquele barulho infernal tira a capacidade de pensar, de refletir, de ter concentração... de tudo. Deve ser por isso que continuam.

Será que eles usam deste artifício como uma “vingança” contra o mundo? Só pode ser.

Imaginem o “mundo” inteiro assistindo a um jogo com aquela coisa desgraçada entrando pelos ouvidos e arruinando a sua capacidade de raciocinar.

E lá no estádio então? Se aqui a coisa é impossível, imagino quem está lá. Os jogadores, eles próprios, enfim...

Alguma coisa tem de vingança porque não é possível alguém gostar de vuvuzela, mas temos que respeitar as culturas, as pessoas, os pensamentos, os povos que gostam de coisas diferentes. E ponha coisa diferente nisso, mas ponha mesmo!

Assisti a cinco jogos dessa Copa, quase inteiros, e parece que o cérebro fica embotado, sacrificado, entorpecido. Faltam sessenta ainda, Será que conseguirei? Será que conseguiremos chegar à final sem ter um ataque de nervos?

Olha, rogo uma praga contra esses torcedores: - Que todas as equipes africanas sejam desclassificadas logo na primeira fase. Mas isso é por castigo mesmo, por “re-vingança” por ter a paciência testada sem necessidade.

Um dia quero passear por lá de madrugada com vuvuzela em punho. Assoprando aquilo sem parar enquanto eles dormem ou tentam se divertir, porque não é possível que eles sobrevivam ouvindo aquilo. Não é possível!!!

Renato Baptista

31 maio 2010

Premeditando - Poetrix

Só Tua - Poetrix

27 maio 2010

Dunga e a Seleção Brasileira na Copa de 2010



Dunga e a Seleção

E vamos lá pelas serras Gaúchas, os Pampas e tanta coisa linda que o Rio Grande do Sul tem como jóias raras. E no futebol, hein? Ah, no futebol temos lá o Grêmio, um time copeiro, competente e que tantas glórias alcançou de forma espetacular no cenário nacional, e é um time até mais internacional que o Internacional, seu rival imediato, e absolutamente vitorioso em virtude das suas conquistas.
Mas o Internacional... Bem o Internacional tinha o “Fernandão”, glorioso “Fernandão”, conseguiu o título máximo mundial interclubes vencendo nada mais nada menos que o Barcelona que tinha como astro o Ronaldinho... Aquele Gaúcho que jogava bola, lembram dele? O que era do Grêmio. Incrível!
Bom, mas o fato é que o Rio Grande do Sul desfilou craques pelos campos do Brasil e do mundo através da história. Jogadores como Everaldo, Renato Gaúcho, Cuca (o chorão que dirigia o Botafogo), Valdo, Tite, Alexandre Pato, “Fernandão” e outros como Sandro Gaúcho, Cleber Gaúcho e outros Gaúchos como o Ronaldinho... E perdoem-me se não citei mais nenhum craque da bola que nasceu lá naquelas bandas onde os caras sabem realmente jogar bola e não são Paulistas e nem Cariocas.
E agora, o que eu queria lembrar e lembrei: DUNGA! Como esquecer de Dunga, aquele que desfilava sua truculência pelos gramados do mundo todo? Um jogador sem técnica alguma, mas que tinha no sangue uma injeção cheia de raça e vontade. Um jogador que levantou uma Copa do Mundo que o Romário ganhou para o Brasil. Um jogador que parou de jogar assim como começou e que resolveu se tornar técnico de futebol.
Aí, o Internacional, onde ele jogava e onde jogava o “Fernandão” não o quis contratar, e nem o Grêmio das glórias e tradições, e nem o Juventude, eterno coadjuvante, e nem o Caxias e o Internacional de Santa Maria, esses sacos de pancada supremos do Rio Grande, e nem nenhum outro clube do sul.
Mas ele conseguiu, conseguiu ser contratado para ser inventado como técnico de um time chamado “Seleção Brasileira”.
Um time, uma seleção que é cinco vezes campeã mundial apenas, não sei quantas vezes campeã da América e de tantos outros torneios. Uma seleção que tinha Pelé, simplesmente a maior expressão mundial do futebol. Um ícone conhecido pelo mundo inteirinho... Bom, nem preciso falar mais sobre o que representa a seleção brasileira de futebol porque todos conhecem muito bem.
Pois é, o DUNGA faz seu trabalho de volante truculento, ops... De técnico incompetente, ops, de técnico da seleção de forma curiosa. Convoca mal, arma mal o time, substitui mal, avalia mal, se veste mal, fala mal, pensa não sei o que e continua lá, perguntando para o Jorginho a cada 2 segundos o que ele deve fazer.
De repente ganha uma Copa América para o Brasil, vencendo a Argentina completinha numa final eletrizante onde o Brasil até goleou nossos rivais mais do que imediatos de forma mais do que surpreendente com o seu time ruim, mal armado, mal dirigido e tal e tal... e classificou o Brasil para essa Copa que começa daqui a pouco.
Mas uma coisa o DUNGA fez certa. Logo que chegou à seleção armou a maior confusão com dois jogadores que se indispuseram com ele e seu trabalho e os deixou de fora de suas convocações. Mas tudo bem, afinal eram apenas o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká. Jogadores nem tão importantes assim, afinal só foram eleitos, os dois, os melhores jogadores do mundo pela Fifa. Não sei como o DUNGA nesse ínterim não convocou o “Fernandão”, esse que anda resolvendo a vida do São Paulo (chega a ser engraçado até). Ah! Já sei, lembrei agora, ele convocou uma vez um famoso “Afonso”. Vocês sabem quem é o Afonso, não é? Um verdadeiro “craque” que vestiu a camisa que um dia foi do Vavá, do Tostão, do Careca, do Romário. Nossa!!! Ainda bem que anda meio esquecido, desapareceu de vergonha.
E o pior é que o DUNGA era volante, então ele adora convocar volantes. A seleção Brasileira qualquer dia vai ser escalada com o goleiro, nove volantes e o Afonso ou o “Fernandão” de atacante, porque afinal, o que importa é não perder. Maravilhoso, não é? E na reserva o Soneca, o Zangado (imaginem porque) e ainda faltam quatro... E se bobearmos, qualquer hora, ele, como era volante, entra e joga também e pronto.
Deus faz as coisas certas sempre, e como Deus é Brasileiro, o Brasil ganhou a Copa América e as Eliminatórias para a Copa do mundo. Mas ganhou na hora errada, porque o DUNGA continuou à frente da seleção. Dá medo, não dá?
Se perdermos essa Copa, temos a chance de vê-lo ser demitido do cargo e termos de volta o Felipão no comando da Seleção. Esse sim, Gaúcho com “G” maiúsculo, que sabe o que faz, que é competente, inteligente, sabe dirigir, convocar e tal e tal...
Que Deus ajude e proteja o nosso Robinho e que o Dunga não invente de convocar o Fernandão de última hora!!!

Renato Baptista

26 maio 2010

Poetando - Poetrix

12 maio 2010

Tentação - Poetrix

23 abril 2010

Nu

10 abril 2010

Despida - Poetrix

03 abril 2010

Presente - Poetrix

Instantes - Poetrix

29 março 2010

Trama - Poetrix


24 março 2010

21 março 2010

17 março 2010

14 março 2010

Eita Lingua Difícil a Nossa... Renato Baptista


Eita Lingua Difícil a Nossa...

Vocês já pensaram na palavra...”MUITO”?
É uma das raras palavras em português que a gente escreve de um jeito e pronuncia de outro.
Seria... “MUINTO” a grafia correta ou então a pronúncia deveria ser : “MÚITO ( sem o...N...)”.
Em inglês a tradução seria... A lot of ou Many ou ainda Very... dependendo da construção... É tudo ao pé da letra por incrível que pareça, com exceção de Many que se fala... Mény.
Bem, como o cara que inventou essa palavra deve tê-la achado tão estranha quanto ela realmente é, resolveu também (essa palavra, “também”, é horrível... Fale bem alto várias vezes e perceba) inventar uma substituta que é a palavra... “Bastante”... Que é clara, óbvia e pronuncia-se do jeito que se escreve.
Veja: - Eu te amo muito!, ou Eu te amo bastante! ou Eu te amo demais! (outra fácil), ou Eu te amo pra caramba!, ou ainda... Eu te amo pra... deixa pra lá.
O fato é que, já que “muito” se pronuncia “muinto”, deveríamos logo adotar a americanização da coisa. Em Inglês escrevemos... “Ice” e falamos “Áice”, portanto já que é assim, deveríamos falar...” MUÁINTO”.
Perceberam a imponência do vocábulo e da sua entonação? O quanto ganharíamos em importância internacional?
Por isso que quem escreve a língua portuguesa apanha, sofre, dança, pega dureza... Xiiiiiii!!!!!
Não é fácil não, nem moleza, nem bico, nem tranqüilo... Estão vendo? Falar é fácil e falar só da palavra “MUÁINTO” é pouco... Quase nada...


Renato Baptista

01 março 2010

Crônica do Telefone - Renato Baptista

Crônica do Telefone


Odisséia – PARTE 1

Em meados de Julho de um ano desses, recebi em minha residência uma carta da Cia. de Telefonia local que me informava friamente que a partir de Setembro do mesmo ano, o prefixo do meu número telefônico residencial seria alterado para ... (xxxx).
No final de Agosto, distribui orgulhosamente para todos os interessados a notícia da mudança e fiquei lá aguardando a primeira ligação.
Ficou tudo por isso mesmo, pois todo mundo que me ligava a partir daquela data, escutava uma mensagem que dizia que aquele numero de telefone não existia.
Pois é... passei por mentiroso, fugitivo e sei lá mais o que. Mas tudo bem, falhas acontecem.
A vida foi seguindo, o número continuou o mesmo e num belo Domingo de Dezembro pela manhã, resolvi retirar os recados do meu celular que passa invariavelmente os finais de semana morto e desligado. Foi o destino.
A caixa postal estava lotada até a boca com mensagens que diziam que eu não podia mudar o número do meu telefone e não avisar ninguém. - Que amigo que era eu ?. - Por que essa minha indiferença?,... e até alguns xingamentos que agora não vêm ao caso, foram-me proporcionados pelos mais íntimos.
Nesse momento, aparentando total incapacidade em frente a minha mulher e meus filhos, eu me pedi calma e usando toda a minha perspicácia e sabedoria, iniciei um processo de regressão que imediatamente me levou àquela carta do mês de Agosto. Pronto, agora sim, mudaram o prefixo e não me avisaram. E com um pequeno atraso de 4 meses .
Com toda a certeza do mundo, convoquei a atenção da família inteira, saquei o meu celular e digitei o número da minha própria casa com o novo prefixo. Acionei o viva -voz, e após o terceiro toque , mediante a expectativa de todos, o inacreditável :
- “Este número de telefone não existe, queira consultar o catálogo ou acione o serviço de informações”. Gargalhada geral ! Passei a pensar que eu não existia mais.

Odisséia – PARTE 2

Pedi, dilacerado e educadamente que todos procurassem o que fazer enquanto eu resolvia o problema. Eu não agüentaria outras gargalhadas!
Comecei então a minha viagem pelos 103,105,108,102,106, até que apareceu uma atendente que eu achei que pudesse resolver a questão. Ela concordou comigo que o meu número havia sido mudado e me deu até a data. Brilhante ! Estava a um passo da solução.
Perguntei porque a gravação não informava a mudança e não indicava a existência do novo número. Pronto, agora eu escutava pela segunda vez a maior pérola da telefonia : - Aguarde 01 minuto por favor.
É incrível a relação de tempo na telefonia. Um ( 01 ) minuto significa invariavelmente 2 ou 3 no mínimo. Para cada pergunta que você faz tem-se que esperar 3 ou 5 minutos por uma resposta.
O que será que esses atendentes fazem nesse período? Será que eles consultam o Manual do escoteiro Mirim? Ou será que pedem ajuda às Cartas e aos Universitários, ou perguntam para o cara ao lado, ou ligam para o chefe e só dá ocupado? Intrigante isso !
Mas algum mistério envolve essa nova relação de tempo. É sim , o “ Minuto Telefônico “. Uma nova medida de tempo Mundial que inventamos. Estaremos na mídia, venderemos bilhões de relógios novos, revolucionaremos os conceito de espaço x tempo. Mas ssscchhhh!! A Cia. De Telefonia não percebeu isto ainda !
E finalmente quando você menos espera, o atendente desafia a sua paciência com outra pérola do tipo : -“ Obrigado por aguardar, senhor “. Mal sabe ela que eu é que devia agradecer, pois acabei de formular um plano estratégico de mudança da relação de tempo Mundial que me tornará riquíssimo.
Bem, voltando ao tema, ela simplesmente respondeu que existiam alguns problemas técnicos, e que estaria registrando a minha reclamação...e que eu aguardasse 72 horas ( Seriam horas de minutos telefônicos ou” antigas” ? ).
Até aí tudo bem, mas eu resolvi cair na besteira de perguntar o natural, o óbvio :
-Por favor qual seria , assim como quem não quer nada, o meu número de telefone novo ?
A resposta que veio após alguns minutos telefônicos foi simplesmente espetacular :
- Senhor, o assinante não permite a divulgação do seu número telefônico ! Ah , Peguei-a desta vez ! Respondi cheio de razão que o assinante era “EU”, e que eu nunca havia proibido nada deste tipo. E ela tinha certeza de que eu era eu mesmo pois já havia fornecido o meu RG, CPF, conta bancária, comprovante de residência, hollerith, nome do Pai, da Mãe e do Espírito Santo, e até quantas horas eu dormia por noite ela já sabia, portanto era claro que ela podia fornecer para mim mesmo o meu próprio número de telefone. Certo? ...Errado.
- Senhor, o assinante não permite a divulgação.
Tive certeza que eu estava frente a frente com algum tipo de replicante. Não havia mais argumentação.
De repente ocorreu-me o óbvio . – Por favor, já que o assinante sou eu e você disse que eu proibi a divulgação do número, eu posso pedir o cancelamento desta proibição, certo? ...( dedos torcidos...)
Depois de aguardar o tal do 01 minuto de praxe, uma voz macia ecoou como música no meu ouvido; - Senhor, estou cancelando a proibição de divulgação do número, o senhor confirma? – Achei que ela estava tirando uma com a minha cara, mas confirmei.
Aí veio; - Por favor, anote o número do pedido. É 87678B045J421 - 0 e por aí afora... Pronto, como ela não contava com a minha astúcia, cheio de poder , preparei-me para o golpe fatal, mas ela foi mais rápida e eu escutei prontamente : - Mais alguma informação senhor?
Esta era a senha... enfim anos de estudo e um pós-graduação serviram para alguma coisa. Meus pais deveriam estar orgulhosos de mim. Disparei sem pestanejar :
- Pelo amor de Deus , qual o novo número do meu telefone?
Resposta : - Pois não, senhor , por favor, poderia confirmar o nome do assinante?
...Bem, resolvi ser educado, e respondi a todas as bobagens perguntadas. E finalmente como num passe de mágica, descobri o número do meu telefone, aquele que eu pago mensalmente há 20 anos.
Haviam mudado o prefixo e o primeiro número dos outros quatro.
E agora sim, todos em casa estavam felizes e orgulhosos do Papai, e começaram os planos para divulgar o número novo para todos os amigos.
Será que depois de tudo isso eu não deveria vender o meu número para as pessoas?
Não...besteira. Ninguém pagaria para ter o meu número telefônico, uma bobagem que afinal, você descobre facilmente em qualquer lugar...

Renato Baptista

Todos os Direitos Reservados

22 janeiro 2010

A História do garoto que pegou Pneumoultramicroscopicosilicovulcanicoconiotico - ARTHUR BAPTISTA


A História do garoto que pegou Pneumoultramicroscopicosilicovulcanicoconiotico

John era um garoto que morava no Hawai, uma ilha que tem muitos vulcões...
Ele tinha apenas 11 anos e nunca tinha visto um vulcão entrar em erupção e desde que nasceu ele ouve histórias de que todos os vulcões do Hawai estão extintos, a não ser um...
O VULCÃO NEGRÃO (o vulcão mais temido por todos os Hawaianos desde o século 01 a.C.)
John sempre sonhava com o vulcão negro, ou melhor tinha pesadelos...
Outra característica de John é que ele amava bebês, pois ele não podia ver nada de ruim acontecendo com um bebê que ele enfrentava qualquer coisa para salvá-lo.
Passa-se o tempo e John completa 20 anos... Ele já tinha desencanado da idéia de que o Vulcão Negrão ainda poderia entrar em erupção algum dia.
Foram muitos anos de terror até que um dia, aos 15 anos ele até pediu para sua mãe para que mudassem de país, só que seu pedido foi recusado e uma vez aos 18 anos ele tentou se matar de desespero com medo de que o vulcão explodisse.
Contarei a história do dia em que ele tentou se matar:
- Dia 18 de Outubro de 2002, John completamente transtornado com aquele vulcão, diz que não agüenta mais e vai se matar, mas... De que jeito?
John pensou, pensou e pensou e chegou a conclusão de que ele iria pular dentro do vulcão. Na hora em que ele chegou na frente da cratera ele perdeu um pouco de sua coragem, mas mesmo assim foi em frente e encarou o enorme vulcão. Foi aí que viu que dentro dele não havia um buraco bem fundo com todos os vulcões tem. Ali dentro tinha um parque de diversões gigante.
John, feliz, aliviado e com cara de bobo se divertiu o dia inteiro...
Belo dia pra quem ia se matar hein???!!!!
Até aí estava tudo bem, o problema foi quando ele chegou em casa e ligou a TV... Oh não, ele descobriu que aquele não era o Vulcão Negrão e sim o vulcão da Diversão... O Vulcão Negrão ficava a 18 Km dali, ele havia errado o lugar. Decepcionado, triste e preocupado John vai dormir... Ai meu Deus ! Só de pensar que aquele vulcão realmente existe, o trauma e o medo de John voltaram imediatamente e sua vida voltou a ser como era antes... Um transtorno.
Os anos se passaram e John, com 22 anos estava em seu escritório trabalhando, quando de repente, tudo começa a tremer. Ele olha pela janela para ver o que aconteceu e imaginem só o que era...
O VULCÃO NEGRÃO EM ERUPÇÃO... EXPLODINDO...
John fica completamente desesperado, mas não é do jeito que vocês estão pensando não, John estava completamente louco, fora de si, alucinado, berrando sem saber o que fazer, pois a lava invadia tudo e estava até chegando ao seu escritório. Aquele vulcão dava para ser visto da cidade inteira.
Meia hora depois, a cidade estava um caos. Todos se escondendo desesperados e John permaneceu em seu escritório... Acalmou-se um pouco, sentou no canto e começou a chorar, a chorar muito, muito mesmo. Seu chefe estava demais preocupado com o estado de John porque ele nunca havia visto uma pessoa num estado daquele.
Uma hora depois a lava já invadia praticamente a cidade inteira, muitas pessoas morrendo e John em seu escritório. Quando de repente John vê um menino, um menino não, um bebê (tinha no máximo 5 meses) no meio da lava chorando muito. John arregalou os olhos vermelhos de tanto chorar, tirou a camisa, arrancou a tábua de sua mesa e montou um tipo de barquinho muito forte. Como o vulcão ficava longe dali e a lava estava pouca ainda naquela região, tão pouca, que não era nada que o barquinho de John não agüentasse.
John saiu do escritório e com seu barquinho foi até o neném, e o resgatou . Na volta, o barquinho virou e John se queimou muito mas, mesmo assim, conseguiu segurar o bebê no alto, de uma forma em que o fogo não o alcançasse. John sem forças levantou –se rapidamente e foi sofrendo muito para o seu escritório carregando o bebê. Chegando lá, ele viu que o bebê estava com fortes queimaduras mas não sofria risco de vida. Mas ele estava com muitas queimaduras de 3º grau. John entendia de medicina, e por causa do seu trauma com o vulcão, ele tinha sempre guardado em sua gaveta um spray de super-gelo fabricado no Japão, mas que ainda estava em fase de testes - antiqueimadura de lava vulcânica. John havia pago
U$ 400.000.000 naquele spray, só para vocês verem o desespero que ele tinha da coisa.
Nosso John rapidamente pegou o seu spray e pediu para o seu chefe espirrar em suas costas por completo e nas queimaduras do bebê... Ufa! Que alivio que deu em John... Ele começou a perceber que pela graça de Deus, aquele produto ainda em testes, funcionava.
Um ano depois, a cidade já tinha sido reconstruída, tudo havia voltado ao normal e John em processo de cura das queimaduras ainda estava no hospital. O bebê foi salvo e órfão, iria morar na casa de John quando este saísse do hospital.
Alguns dias depois, com John ainda internado, chega uma mulher correndo que nem uma louca na sala onde ele estava, chamando pelo seu filho. A mãe do bebê tinha achado o paradeiro de seu filho e muito emocionada pega o neném no colo e chora sem parar... John também emocionado conta a história para a moça que o agradece muito e muito mais.
Agora John está sozinho em sua sala do hospital, quase recuperado, quando de repente, ele começa a tossir, tossir muito e os médicos entram desesperados e começam a fazer exames nele.
No dia seguinte, o médico chega todo desanimado com a resposta dos exames e diz:
- Desculpe John, mas você pegou Pneumoultramicroscopicosilicovulcanicoconiotico !!!
John fica meio assustado mas procura se informar com o médico sobre a doença, descobrindo que ela é causada pelas cinzas vulcânicas. Ele era tão traumatizado que já sabia que ia ter algo sério em sua vida causado por algo do vulcão, mas enfim, a noticia boa havia de chegar.
Ele então recebe a notícia de que o vulcão fora extinto e que sua doença só se pega uma vez na vida.
A doença era bem difícil de ser curada mas no caso dele estava fácil pois estava no nível 1 de 5.
Foram meses e meses de tratamento e sofrimento até que pela graça de Deus, novamente ele estava curado e depois de um ano ele estava livre para curtir sua vida que estava ainda no começo.
John acabara de completar 24 anos e voltou para sua casa sem mais preocupações, casou-se, teve filhos e continuou sua vida muito feliz...
Claro que ele contou a história para os seus filhos, mas depois pediu para eles não ficarem comentando pois ele não queria nem lembrar daquela parte ruim de sua vida e sim da boa que é a que ele estava vivendo no momento.
E esta é a história de John, o garoto que pegou Pneumoultramicroscopicosilicovulcanicoconiotico.


Obs: Esta doença existe de verdade, e foi descoberta em 2001. É causada pelas cinzas vulcânicas. Ela foi considerada a maior palavra do mundo entrando para o Guiness-Book 2002.

Arthur Baptista – O Contista

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02 janeiro 2010

Por Que existe Ópera ?



Por Que existe Ópera ?

Odeio Ópera ! Fico tentando imaginar o que pode ser mais chato e irritante do que uma bela Ópera.
Aquele clima de gala, Channel nº 5 e Colônia Pinho Campos do Jordão misturados no ar, desafiando as narinas alérgicas. Peles, brilhos, naftalinas, sedas de cores sóbrias, sapatos de cromo alemão e fraques do casamento do filho do irmão, tudo aguardando o apagar das luzes.
As cortinas se abrem e o show vai começar... O espetáculo de luzes se resume a um foco. Um foco ! Um jato de luz sobre um cara bochechudo que mais parece um provolone vestido de noivo.
Existem atores que entram em cena e congelam, saem de cena... Que esquisito.
Está criada uma atmosfera que anuncia um grande acontecimento. O público na expectativa... - Agora rola ! diz a madame ao meu lado ( moderninha, não ? ) e que por sua vez está ladeada pelo marido narigudo que ainda não tinha acordado do desmaio provocado pelo aperto excessivo de sua gravata borboleta vermelha... Sorte a dele !
E a coisa parece que vai mesmo... Mas é Ópera ou Balé ? Tem dançarinos perdidos em cena, rodopiando suas plumas e collants
pelo palco. Até que após segundos mudos e surdos, o Tenor ou Barítono, sei lá, começa a gritar. A garganta do cara parece uma turbina de avião a jato. E que língua era aquela, meu Deus ?? Seria Aramaico Arcaico ou Italiano do Século Meio AC ?... Não dava para entender uma maldita palavra... Nem uminha !
A mulher ao meu lado, cujo marido acordava assustado imaginando estar no pregão da Bolsa de Valores, chorava como uma doida e devia ser de raiva, eu creio, ou de vergonha por achar ser a única a não entender o que o Provolone berrava aos sete ventos. Um horror total aquilo! E que piorou ainda mais quando entrou em cena um casal fantasiado, ele de Pingüim e ela de Cinderela.
Bem que eles podiam ser polidos e educados e explicar o que o Provolone gritava insuportavelmente. Explicar em voz baixa, didaticamente, para que todos os Visons entendessem o que se passava. Que nada... O troço virou feira livre. Mais gritos e berros espetaculares e estrondosos. Se eram palavrões, nem imaginávamos. A esganiçada da Cinderela ficava até vermelha... Coitada. Imagino o que passa em casa o marido dessa donzela. Se eu fosse ele, eu a empurraria para dentro de um poço e lacrava a boca, dela... E o outro, o Pingüim, com cara de sapo-boi, nem te conto. O homem era nada mais que um megafone transcendental insuportável.
E o meu saco explodindo. A mulher do meu lado, chorando sem parar, os penteados das madames desmoronando com a vibração e finalmente, depois que o Provolone berrou uma, somente uma palavra durante três minutos e quarenta e oito segundos cronometrados, o silêncio se fez.
Os três se deram as mãos, adiantaram-se e se curvaram... Acho que com medo de chuva de ovos e tomates ou algo próximo que imaginavam receber. Na seqüência viraram-se e saíram rápido ( não são bobos...), talvez porque nem eles mesmos se suportem. A cortina subia e descia freneticamente e as luzes produziam efeitos especiais engraçados. Talvez tudo isso tenha sido quebrado pelos berros alucinantes daqueles três chatos incompreensíveis.
E o público em pé, aplaudia veementemente o fato deles terem ido embora. Quiçá para sempre !!!...E gritavam : - Bravo !!, Bravo !!!
E eu que achava que só eu é que tinha ficado bravo com aquela coisa infernal.
Quando acenderam a luzinha vermelha que indicava a saída, foi a maior felicidade da minha vida. Eu podia finalmente caminhar até o meu carro e ir para a minha casa ouvindo meus Blues.
Para vocês verem, até a mulher que estava ao meu lado, parou de chorar e o marido dela, ainda meio roxo, perguntou-me baixinho em som rouco : - Você sabe tirar essa porcaria dessa gravata do meu pescoço?
Odeio Ópera !!! Coisa de doente mental essa coisa chata. Aliás, a palavra...”Odeio”, tem cinco letras. Deveriam inventar uma palavra “Odeio”, com umas cinqüenta letras, para que eu pudesse gritá-la com todos os meus pulmões no ouvido daquele desgraçado do Provolone por uns vinte minutos ininterruptos.
Odeio Ópera !!!
Essa droga me instiga à vingança.


Renato Baptista

Todos os Direitos Reservados

01 janeiro 2010

Sonhos de Criança


Sonhos de Criança

Revivo de vez em quando lembranças da minha infância. São imagens que me vêm nítidas, atrevidas, desafiando o meu presente.
O cheiro do meu armário de brinquedos, o badalar do relógio de pêndulo do meu Pai, o som da caixinha de música da minha mãe, o tilintar da chuva na janela do meu quarto que anunciava a negativa das brincadeiras na rua.
Lembro da minha primeira bicicleta que tanto castiguei... ela me levou a conhecer o mundo. Recordo-me do aroma de comida que vinha da cozinha e que me lembrava que eu estava com fome. Lembro bem dos meus carros de autorama que eu montava e desmontava peça por peça de olhos fechados, incrementava, envenenava e que me traziam vários troféus.
Lembro-me muito bem dos meus times de futebol de botão que sobrevivem até hoje... Com exceção de alguns jogadores que faleceram com o tempo, racharam e se quebraram e que ganharam um funeral condizente com a sua importância de títulos lá na terra do quintal de casa.
Lembro das figurinhas, do piano que minha mãe tocava nos finais de tarde e nas manhãs de Domingo e dos meses de Julho de frio doído aqui em São Paulo.
E me recordo muito bem dos seriados de TV que eu adorava (assunto para horas a fio) e do meu primeiro radinho de pilha que eu colocava entre a fronha e o travesseiro para minha mãe não ver, pequenino, pretinho e que eu ligava para poder dormir ouvindo música toda santa noite.
Lembro de todos os meus desejos proibidos, inenarráveis, da minha ansiedade por ser alguém grande, adulto que eu não sabia, teria muita saudade de tudo aquilo, de tudo o que eu já era e já tinha.
Eram muitos sonhos... Incontáveis sonhos. Uma visão do mundo não muito clara, condizente com a minha idade. Pouca informação e no coração uma sensação estranha. Eu não sabia o que era. Um algo indefinido e indecifrável. Totalmente incompreendido para mim naqueles dias... uma presença que eu não entendia.
Era você que nascia para mim!
Renato Baptista