09 janeiro 2009

Confraternização ou a solidão da leitura...



Confraternização ou a solidão da leitura...

Simplesmente não se deve envolver-se em solidão quando se adentra os caminhos que as linhas dos livros impõem. Cada palavra, cada letra é capaz de abraçar e de fazer o carinho que se espera do saber esperado.
Solidão não é assim, tão doce e graciosa, tão eloqüente e abrangente, tão compensadora. Perpetua-se o silêncio, esse sim, quando se atropela os ensinamentos que são tão gratuitamente oferecidos. Depende de cada um, apenas saber absorver e vivenciar aquele momento.
E na verdade, esse silêncio leva à interiorização e ao desprendimento, à total oração interna onde há o encontro e a realização enquanto se compreeende as pautas colocadas.
Definitivamente, solidão não existe quando os personagens das histórias desfilam ante os olhos e proporcionam emoções que fazem pensar, e o leitor compactua e brilha com todos eles, tornando-se coadjuvante ativo naquele momento tão perfeito.
Livros são devaneios, são tratados onde a interpretação é o que deve persistir. Se alguém se entrega à solidão ante o ditame tão proferido de que “Penso, logo existo”, e não consegue imaginar que uma pedra existe e que definitivamente não pensa, acredita-se que para essa pessoa, seu mundo é realmente de solidão absoluta enraizada na falta de interpretação crônica.
E daí a confraternização, onde mãos se tocam, corações batem juntos e se abraçam, formam a mais completa parábola da relação humana. E nesses momentos fluem palavras, versos, tristezas e alegrias que os livros despertaram, qua a vida reservou, e assim, entre a confraternização e a revolução que o tema despertou, forma-se uma expressão de vida.
Há momento para tudo, para aprender, para respeitar, para amar, para sorrir e até mesmo para que nos encontremos na nossa solidão para que possamos aprender as verdades da vida e ainda, para que possamos transmití-las aos nossos semelhantes nos momentos sublimes de confraternização e entrega.
Perdão aos intimistas e aos que propõem o simples definitivo do credo. Cada dia que o nascer do sol anuncia é feito para ser vivido intensamente, mas por sua vez, como se não houvesse amanhã. Solitário por momentos ou em grupo desta ou daquela vez, o saber viver é o que conta.
Antes, cada amigo ou cada amor sentido fizesse parte integrante e ativa dos capítulos dos livros que se perpetuam.
Com certeza eles fazem, e solidão, com certeza, não cabe nesse compêndio.


Renato Baptista

Direitos Reservados

2 comentários:

ENCANTOS DA RABISQUEIRA ENGATINHANTE disse...

Oi, Renato! Adorei tua visita!
Grata! Agora, falando do teu texto, está aí uma questão bastante intrigante. Pois, devo confessar que amo a solidão, para ler, escrever, relaxar, pensar... Todavia, há momentos que essa mesma solidão que tanto prezo e procuro, faz com que eu me sinta muito triste. Então, acho que a solidão é boa, na medida certa. Tudo que é demais, faz mal. Penso que seja por aí... Um abração, amigo!
Tânia Regina Voigt

Eu por Quitéria disse...

Linda forma de definir esse momento "solidão"...sublime momento de paz que podemos sim dividir, mas com quem o valorize.

Abraços